Não. Em outubro de 2026, o desenvolvedor Brandon Thomas, do ArtCraft, viralizou com apps gratuitos e de código aberto que se apresentam como alternativas a programas da Adobe, como o PhotoCraft (Photoshop) e o FilmCraft (Premiere Pro), escritos em Rust com ajuda do Claude Opus 5.5. Os próprios repositórios dizem que os apps estão em alfa e ainda não substituem o Photoshop no trabalho profissional. A lição para empresas é outra: escrever software ficou mais barato, e o diferencial passa a estar nos dados, nos serviços e na experiência que vêm junto com ele.

Em 30 de setembro de 2026, o ArtCraft, estúdio de ferramentas criativas fundado pelo desenvolvedor americano Brandon Thomas, começou a publicar no GitHub uma série de aplicativos gratuitos e de código aberto. Nos dias seguintes, o projeto viralizou com uma promessa ousada: oferecer alternativas aos principais programas da Adobe.
Segundo o TechSpot, Thomas contou que escreveu os apps em Rust com a ajuda do Claude Opus 5.5, modelo da Anthropic, citou as taxas de cancelamento da Adobe como motivação e resumiu o momento com a frase "software is over" (o software acabou). Desde então, a página oficial do ArtCraft passou a listar apps semelhantes para planilhas, apresentações, áudio e CAD.
O caso virou o símbolo de uma discussão maior sobre engenharia reversa com I.A., que ganhou força na mesma semana com o REA, ferramenta que coloca agentes de I.A. para analisar programas compilados.
Não no sentido de usar o código da Adobe, segundo o próprio projeto. O repositório do PhotoCraft o descreve como uma reimplementação em sala limpa do Photoshop, construída apenas a partir de especificações públicas e do comportamento observado do programa, sem código, shaders ou arquivos da Adobe, e afirma não ter vínculo com a empresa. A licença é MIT ou Apache-2.0, à escolha de quem usa.
Sala limpa (clean room) é um método antigo: uma equipe estuda e documenta o comportamento do produto original, e outra, que nunca viu o código dele, escreve uma implementação nova a partir dessa documentação. Foi assim que o BIOS do PC da IBM foi recriado nos anos 1980. No caso do ArtCraft, essa é a alegação do desenvolvedor; até a publicação deste texto, não encontramos verificação independente.
Aqui aparece a distância entre a manchete e o produto. O README do PhotoCraft, o app mais maduro da série, diz que ele está em alfa e que ainda não substitui o Photoshop no trabalho profissional do dia a dia. As maiores lacunas apontadas pelo próprio projeto são os recursos de I.A. generativa, ferramentas que ainda faltam, a profundidade da tipografia e a compatibilidade com plug-ins. Os demais apps aparecem como alfa ou em desenvolvimento na página oficial.
A análise do desenvolvedor Fabio Akita acrescenta problemas que só aparecem no uso real: centenas de problemas abertos no repositório, gerenciamento de cor limitado para impressão (CMYK e perfis ICC), consumo alto de memória em imagens muito grandes e incompatibilidades com arquivos PSD. Em resumo: a captura de tela impressiona, e o produto ainda está em construção.

O ponto mais interessante do caso não é o que o ArtCraft fez, e sim o que ele não consegue fazer, por mais tokens que gaste. Boa parte do valor de um software moderno não está no programa instalado:

Se o seu produto é principalmente um conjunto de telas e cadastros que qualquer pessoa vê funcionando, ele ficou mais barato de copiar. Não por engenharia reversa do código, mas porque a I.A. reduziu o custo de escrever um software parecido. O que continua difícil de copiar:
O caso também mostra o outro lado: ficou mais barato construir ferramentas sob medida. Para muitas empresas, a pergunta deixou de ser "qual sistema eu assino?" e passou a ser "vale a pena ter uma ferramenta própria para este processo?".
A resposta depende do custo total, não só da licença: manutenção, segurança, suporte e treinamento do time entram na conta. Um app aberto e gratuito pode sair caro se ninguém na empresa souber mantê-lo. É o tipo de comparação que fazemos na consultoria em I.A., na frente de escolha de ferramentas, e, quando o sob medida compensa, nos agentes personalizados.
É um estúdio de ferramentas criativas fundado por Brandon Thomas, que publica apps gratuitos e de código aberto, como o PhotoCraft e o FilmCraft, apresentados como alternativas a programas da Adobe.
Sim. São gratuitos e de código aberto, sob licença MIT ou Apache-2.0.
Ainda não. O próprio repositório diz que o app está em alfa e que ainda não substitui o Photoshop no trabalho profissional do dia a dia.
Segundo o projeto, não: seriam reimplementações em sala limpa, feitas a partir de especificações públicas e do comportamento observado, sem código da Adobe. Por enquanto, não há verificação independente dessa afirmação.
Nada indica isso. Boa parte do valor da Adobe está em serviços na nuvem, dados, licenças e parcerias, que não podem ser copiados a partir do programa instalado.
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